Cozinha, Lugares

Piramidal…

Veio hoje a saudade de uma piramide como aquelas que tantas vezes comi na Gomes. O resultado é uma aproximação à escala 1 para quase lá. Mas o que conta é a magia de as comer e não a equação que as produziu. Não dá para matar, as saudades claro está, mas serve para manter a tristeza na cova até que outro, desejo pois bem, se levante. Hoje tudo é piramidal…

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Outros, Uncategorized

Au revoir…

Os Estados Unidos anunciaram a saída unilateral do tratado de Paris (que visa a concertação de esforços para limitar o aquecimento global). E agora? E agora nada… é que felizmente o Mundo não se rege por Trump, nem por outros como ele, mas sim pela sua própria dinâmica e inércia. Se é verdade que podemos pontualmente mudar o seu curso, também é verdade que nem todos o conseguem.

É bom ter uma perspectiva temporal dos falhanços tradicionalmente associados às negociações do clima e em particular dos Estados Unidos. Em 1998 recusaram rectificar Kyoto, em 2009 não pressionam por um acordo em Copenhaga, em 2017 dizem adieu a Paris.

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A cada descalabro negocial seguem-se anos de progresso tecnológico que reduzem as emissões Americanas de 20 para cerca de 17 Toneladas por habitante. Pouco, podemos afirmar, mas ainda assim uma redução sem que para isso seja preciso um tratado. Além disso, a tendência no curto prazo é para nova redução de emissões, o que colocará os Estados Unidos muito próxima da sua meta para 2020. O oposto teve lugar do outro lado do Mundo, com o gigante Asiático China a elevar, no mesmo período,  as suas emissões por habitante de 1.4 para quase 7.  A tendência foi sempre positiva até o ano passado em que a China viu, pela primeira vez, a sua economia crescer e as emissões caírem. O acordar da China para a eficiência energética e o abandono anunciado de muitas das suas centrais de carvão vão dar continuidade a esta tendência.

Tal parece indicar que o Mundo com que Trump sonha já não existe, nem na América nem na China e dentro em breve em lado nenhum. Não é possível de todo mudar a dinâmica interna da economia Americana em direcção à eficiência e progresso tecnológico. Esta vai continuar em busca do lucro, que, claro está, não se encontra numa tecnologia barata, totalmente estagnada em termos de desenvolvimento tecnológico e definitivamente não cool. Os investidores vão escolher as tecnologias com mais potencial de progresso, aquelas que vão estar cá daqui a 30 anos.

Ccom esta jogada o máximo que Trump vai conseguir são uns apertos de mão com uma qualquer industria mineira num deserto Republicano para daqui a 4 anos a mesma indústria descobrir que nem com subsídios lá vai, tal como vá escrevi aqui. Não por causa de Paris, mas simplesmente porque estão do lado errado do futuro.

 

 

 

 

 

 

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Automóveis, Rimas

Acende-se a luz…

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Acende-se a luz,
A autoestrada reduz a tensão.
O rádio é um estádio
É um adversário,
Assim não…

E no silêncio deduz
Que esses faróis são mais que luz, afinal.
São metal que ao relento
Entra porta a dentro, real.

E a curva vem
Ela não é mão
Não quer saber.
Tão extraordinário
Um mundo ao contrário
Vá-se lá saber bem porquê.

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Ladoga…

Os Russos costumam dizer que “Pushkin é o nosso tudo”, já as pessoas de São Petersburgo dizem que “O Ladoga é o nosso tudo”. No primeiro caso honram o seu poeta máximo, aquele que lhes deu alma. No segundo caso honram o lago que literalmente lhes salvou a vida. Esquecem porém de honrar o clima. Aquele contra o qual tanto lutam mas que por dois anos consecutivos foi o maior e mais poderoso aliado.

Corriam os anos de 41 e 42; a segunda guerra Mundial estada em pela marcha e a cidade de São Petersburgo cercada a Oeste pelas tropas do eixo. Por coincidência histórica a cidade de Pedro viveria dois dos mais rigorosos Invernos da sua história recente. O ano de 1941 foi o ano mais frio desde que existem registos fiáveis (1.8 ºC de média), e Janeiro de 1942 o mês mais frio de sempre (-18.7 ºC de média).  Durante esses Invernos o Governo Soviético manteve operacional a chamada “estrada da vida”, 30 km de estrada por cima de um lago gelado que permitiu a evacuação para Este de 1.3 milhões de pessoas em direcção a Kokkorevo. Durante esses dois Invernos o lago permaneceu transitável por mais de 150 dias.

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Serie temporal de temperatura média anual e de Janeiro em São Petersburgo (1900-2016) Dados

Curiosamente, e apesar de o lado Ladoga gelar frequentemente, as temperaturas verificadas nos Invernos de 41 e 42, bem como a sua persistência, permanecem como anomalias extremas difíceis de serem repetidas. Uma coincidência histórica que perdura no saber popular e imortalizada nos dados climáticos.

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Cidades, Lugares

Páscoa farta…

Em busca do resto que é tudo. O sustento do dia, o desperdício que vale vida. Uma cadeia alimentar distorcida na qual só a presa mantém o seu papel. São bandos de bandidos efémeros, aliados de ocasião, ladrões do mar. O barco alimenta-os por descuido e alegria. Afinal de contas também merecem Páscoa farta.

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Unterwarnow

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Ressurreição…

…e ao terceiro dia acordaram do seu sono de lata para se tornarem deusas efémeras da delícia.

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Onde estamos? Perguntam as quatro… Quem disse nos fala? Quem está ai!?

Eu, o criador! Criador da substância que vos sustenta, do calor que vos faz crescer, da bênção caramelizada que em vossas almas derrama.

E quem somos nós?

Vocês são fruto do trabalho da vida, fruto da terra e do espaço, colhidas pelo homem e preservadas pela sua indústria.

Não somos deusas?

Não… apenas fruto, tecnicamente, fatias dele.

Não somos únicas?

Não… apenas cópias uma da outra. O que a bem dizer não é problema uma vez que nós gostamos de vocês tal e qual como vocês são.

Nós? Existe mais do que um criador então?

Sim, existe, tantos que nem é possível contar. Em maior número que as estrelas e que todos os grãos de areia do mundo.

Algo está errado com esta vida após a morte. Prometeram-nos um assento à direita do nosso criador.

Não… está tudo certo porque está tudo como deve ser. A vossa vida é só de passagem e a vossa verdadeira ressurreição ainda está para vir… não à direita mas dentro, dentro de mim e de outros que vos queiram… poucos espero…

Dentro? Como assim…

Chama-se digestão, a única ressurreição possível, vossa e minha…

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