insólito, Livros

Bobok, bobok…

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Feijão, feijão. Em Russo é um termo para designar alguém de parvo ou qualificar uma situação de ridícula. És um bobok! Uma sátira do grande mestre em conversa com os mortos. Mortos esses que continuam a falar e jogar às cartas depois da enterrados numa espécie de “inércia da consciência”. Uma delícia de leitura com apontamentos dignos de registo. Por exemplo, a evidência de que já não existirem pessoas espertas pois ninguém  aparenta ter a capacidade de auto-crítica, ou nas palavras de Dostoievski, a capacidade de se auto-intitular de parvo, pelos menos uma vez por mês! Bonok, bobok…

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Livros

Caçar traduções…

A busca por uma tradução impecável de uma obra literária pode ser morosa, mas a recompensa é imensa, tanto maior quanto mais prima for a obra. Depois de descobrir o trabalho excepcional de Richard Pevear e Larissa Volokhonsky nunca mais pus os olhos  noutra tradução de Dostoyevsky. As traduções deste casal vão para além da transposição do significado, estilo e ritmo da obra original (algo já de si dificílimo) com a inclusão de vários apontamentos históricos ao contexto pessoal da vida do grande homem.

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Seria fantástico encontrar traduções deste calibre na nossa língua, no entanto penso que existe muita pouca massa crítica de tradutores nacionais – e os que existem são potencialmente mal pagos – dispostos a tamanha tarefa. Além disso, muitas das traduções de Dostoyevsky para Português são indirectas, provavelmente do Françês e Inglês. Entre os mais conceituados tradutores directos  de Dostoyevsky para a língua de Camões está Paulo Bezerra. Vale a pena dar uma vista de olhos na sua obra, tendo sempre a consciência da presença do traço tropical próprio do Português do Brasil.

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Livros, Outros

Reforços…

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Usando o termo do futebolês eis os meus reforços. Vem ai de tudo um pouco, laterais, avançados e defesas (um guarda-redes pode ser considerado um defesa?), cada um falando a sua própria língua. Para abrir os treinos nada melhor que praticar a língua vizinha com Pedro Páramo de Juan Rulfo. Escritor Mexicano pertencente à geração de 52 e opositor do Muralismo Mexicano então instalado nas artes. Para exercitar o Alemão  encontrei em segunda mão o New Deal für Deutschland  de Giacomo Corneo (só me custou 1€!), um professor de Economia e finanças sediado em Berlim. Um livro que procura estabelecer um novo contracto social para o crescimento económico na Alemanha. Depois A transformação de Kafka, desta vez em Português, para desenferrujar o léxico. Um livro que retrata a solidão e a impotência contra o absurdo, pobre vida de insecto. E para o fim, para o pináculo do verão, o último Dostoievski, Demónios. Depois deste fica completa a leitura de todas as obras de referência do génio Russo, Mal posso esperar pelo verão!

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