Ciência

Solar e nuclear empatadas; mas só uma continua a correr…

Repetidamente escutamos que existem duas grandes desvantagens da energia solar em relação à energia ditas convencional. As duas desvantagens são a sua intermitência e o preço por unidade de energia produzida. Se quanto ao primeiro a luta continua para encontrar solução adequada, já quanto ao segundo as leis do progresso tecnológico parecem estar a erodir o argumento a passos largos.

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Traduzido da figura 1 em Farmer e Lafond 2016.

Trabalho recente de Farmer e Lafond compara o preço por unidade de energia eléctrica proveniente de três tecnologias tão distintas como carvão, nuclear e solar. Quando ajustada de acordo com a inflação o custo de carvão (linha sólida negra) para geração eléctrica nos Estados unidos não denuncia nenhuma tendência significativa, ou seja, o progresso tecnológico não parece ter influenciado o custo ao qual a energia é produzida via ganhos de eficiência por exemplo. O mesmo exercício para o custo de electricidade de centrais nucleares nos Estados Unidos aumentou entre duas e três vezes (notem que a escala é logarítmica) entre 1956 e 1998 (triângulos vermelhos). Ao contrario de outras alternativas os custos operacionais das estações nucleares disparam com a idade, já para não falar dos elevados custos de tratamento de resíduos.

O preço acordado (estimado) a ser pago à estação nuclear de Hinkley Point no Reino Unido  (cruz vermelho) for kWh quando começar a funcionar em 2023 é igual àquele pago hoje em dia a centrais com mais de 20 anos de idade! É pois fácil de constatar que ninguém aposta num notável progresso tecnológico na área nuclear. de outro modo a estimativa do preço seria diferente.

Finalmente a evolução do preço pago por unidade energética proveniente de módulos fotovoltaicos tem vindo a cair a uma taxa de 10% ao ano deste 1980 (círculos e linha de tendência verdes). Das três tecnologias avaliadas a energia solar parece ser a única que mostra um claro efeito positivo da evolução tecnológica. O preço actual da energia solar nos Estados unidos é competitivo em relação ao preço acordado a uma central nuclear que ainda nem começou a funcionar! Veja-se a proximidade dos círculos verdes ao preço acordado para Hinkley Point. As tecnologias estão pois aparentemente empatadas em termos de custos, mas só uma continua a correr no sentido desejável.

Se a tendência de corrida mantiver, até o preço do carvão será posto em causa. Os autores estimam que em 2030 o custo de produção da solar será de apenas 0.14$/Wp, muito perto do que é pago às centrais a carvão no Estados Unidos hoje em dia (cerca de 0.03 no equivalente em $/kWh). Quando o sol brilha, já não é desculpa evocar o custo da energia solar como um empecilho para a transformação energética da nossa sociedade.

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