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Fissura…

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Dessa fissura cresço sem me preocupar com o amanhã. Basta-me um pouco de terra, uma nesga de humidade e a sombra de uma pedra. Prescindo de companhias, não porque não as queira, mas simplesmente porque não me acompanham. Então vou em paz e que ninguém me acompanhe. Quando morrer não volto à terra, apesar dela ter nascido. Volto ao cimento, decaio no passeio, levado por um cão, quem sabe? Esta é por ventura a coisa mais paradoxal da minha curta existência. Consumado o facto resta-me deixar uma sementinha aqui mesmo, na mesma fissura que ao mesmo tempo me aprisiona e liberta. Fosse eu mais esperta e nasceria noutro lugar, mas enfim, este parece-me tão bom como outro qualquer, apenas um pouco mais duro.

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