Cidades, insólito

Rugas necessárias…

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“Capitalismo é estúpido”

São mais do que palavras escritas na parede que se esmigalha. É mais do que a impureza da fachada com nódoas de graffiti. É mais que o som punk metálico filtrado da cave. É mais que o azul giratório da visita policial. É a variedade da diferença, ou seja, a precondição para a sobrevivência da uma sociedade justa.

Poderia eu viver em tal espaço? Não. Partilho eu de todos os ideais que por lá se interiorizam e vivem? Não. Adoro a estética turva das paredes? Não. Constituem estas razões para que deseje a sua destruição? Não! Quero que esta casa e todas as outras como ela sobrevivam pelo simples e fundamental facto que são elas o último bastião da heterogeneidade. A perda destas casas “ocupadas” é uma perda automática na variedade da cidade e por consequência na sua capacidade em discutir. Do ponto de vista pessoal, a sua perda seria um ataque à minha liberdade de lá poder entrar, de lá poder argumentar e de lá poder ouvir um concerto sem ter que pagar entrada.

Na sua busca pela pureza estética do prédio-fachada, os urbanistas e arquitectos vão empurrando a cidade para o seu pior destino, a beleza, a ausência da mais pequena ruga, o apagar da imperfeição. Os únicos traços de carácter numa face que se torna assustadoramente comum.

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