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Nocturno a pedal..

Não raras vezes saio de casa para uma  curta ronda nocturna pela cidade antes de adormecer. Por vezes sigo a pé, outras vezes de bicicleta. Em geral sigo o rio, em sentido contrário, em sentido ao início. Quando posso tento assustar os gatos que sonâmbulos de orgulho fingem não ver a luz trémula do velocípede nem escutar a percussão do pneumático. Confiam nos reflexos de ginasta olímpico para se esquivarem no último segundo, sempre orgulhosos, mas cheios de susto no pelo.

Nunca regresso pelo mesmo caminho que me levou para fora de casa, nunca parto com um destino fixo no volante. Sigo “zagzeando” as ruas ao encontro do próximo sinal vermelho, de uma curva mais apetecível que aquela que ficou para trás, de uma resposta à pergunta de escolha múltipla que nos atormenta o sono; vocês sabem, aquela cuja as possíveis respostas nos parecem todas plausíveis, gémeas falsas mas mesmo assim indistintas.

Não fosse a barricada do sono e da responsabilidade e poderia seguir pedalando a ruas pela noite dentro. Não faz sentido, claro. Mas não faz mal acariciar a possibilidade. Afinal de contas não é para isso que a noite serve? Para se acariciar possibilidades?

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