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Monólogos de peixe…

É obrigatório saudar a tua rara presença trazendo-te de novo à vida. A tua hibernação de sal foi longa e desidratante e a tua viagem dolorosamente compacta, até mesmo para o indivíduo plano que és. Mas não te deixes enganar pelo novo flutuar, é tudo uma questão de tempo até te afundar num mar de azeite, cebola e alho em combustão. Da ressurreição à morte em três dias, acho que para outros é ao contrário. Penso que és o único peixe que ressuscita antes de voltar a morrer, será? Somos cruéis eu sei, é a nossa fraqueza, assim como todos os animais as têm. A diferença é que nós temos o poder de reflectir sobre esta fraqueza e tu não, é essa a única coisa que nos distingue. Em breve nem essa coisa servirá de distinção já que o puré está pronto e o forno quente. Vais ser incorporado nas minhas células, nos meus ossos, se quiseres ser bíblico podemos dizer que vamos contrair matrimónio passando a ser “uma só carne”. Que vida a tua de peixe que acaba em carne. É o ciclo da vida, um dia também eu serei o teu alimento depois da terra me sugar e te devolver os nutrientes hoje por mim emprestados. Mas enquanto esse dia não chega descansa em paz…

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