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Mx vs Trump

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Nas janelas do Senado da República dos Estados Unidos Mexicanos ergue-se uma linha de contestação. É uma linha política e ao mesmo tempo pessoal, é uma linha curta e orgulhosa, é uma linha contra Trump e contra a possibilidade de um Republicano vir a comandar o muro, ou melhor, os muros de Tijuana, Rio Grande, Nojales e em tantas outras cidades e províncias. O que é curioso, pelo menos para mim, é esta linha de contestação surgir do interior (literalmente) de um edifício do governo Mexicano. Não há falas mansas, não há diplomacia, até porque, convenhamos, o protagonista na linha não merece tal consideração. Afinal ainda existe Zapata no México? Uma pergunta que coloquei a mim mesmo quando aqui cheguei. Penso que sim. Pena que a linha transpareça mais o orgulho ferido do que uma revolução autentica. No entanto, prezo-a por vir de onde vem, ou seja, do edifício que de facto tem a missão de resguardar os interesses da nação Mexicana.

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Cidades

O carocha do Ignacio…

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Uma rua anónima, uma tortilha anónima, um carocha anónimo. Anónimo mas com dono, Ignacio Fernandez, apelido de peso, apelido histórico. Vende tortas (sandes com carne e salada) a 5 pesos  a unidade (25 cêntimos) e jura que um dia vai juntar dinheiro o suficiente para comprar um carro melhor. Daqui a seis anos diz ele, lá para dois mil e nunca penso eu. Assim é o sonho Mexicano, simples e transparente, até parece Americano, mas não é. É mais claro, mais sujo em gordura é certo mas mais limpo em moral. Ao menos o Ignacio não mata quando os seus clientes passam a fronteira. Ao contrário do que faz o seu vizinho, os outros Estados, também eles unidos, amantes da liberdade segundo dizem. Amanhã lá chegará Ignacio no seu carocha verde, sem sono, sem dinheiro e sem problemas existenciais a não ser o de garantir a própria existência.

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Cidades

O México da Cidade…

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Bom dia Cidade do México. A azáfama do ir para lado nenhum é a primeiro cartão de visita, o segundo é o calor que transpira corpo a dentro e o terceiro é a cortina de fumo que nos barra o espanto. Torna-se pois difícil encontrar o México no meio da cidade que, por mais paradoxal que seja, é do México. Sentimos bem a metrópole, o movimento de uma massa humana imensa, quase “tsunâmica”. Mas onde está o México nesta cidade? Onde está Zapata? ou como quem diz, a revolução e o desapego pelo poder. Onde estão os Maias? ou como quem diz, a visão de um cosmos matemático. Sim, existem museus onde os podemos encontrar,  mas onde estão eles nas faces das pessoas, nas ruas que não começam e que não terminam. Das duas uma; ou não existem mais, ou estão escondidos pela cegueira da urbe que barra a visão ao estrangeiro incauto. Mas vou tentar, tentar ver o México na Cidade, porque afinal de contas ainda agora cheguei e é no final que, afinal, as contas se fazem.

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Todos te querem, mas não da maneira que és…

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O rapto de Europa por Zeus.

Todos te querem, mas não da maneira que és. Não gostam que sejas uma pessoa com problemas, sabes, como uma pessoa normal. Querem que sejas como aquelas pessoas de Hollywood, sem problemas, perfeitamente simétricas de carácter, ou seja, sem carácter algum. Não gostam que tenhas dias maus, como todos nós, como todos eles. Querem que tenhas sucesso e só o sucesso te é permitido, só o crescimento é política, mesmo que tu não queiras crescer, sabes, como pessoa com vontade própria. Querem que sejas una mas não contes com eles para a união. Todos te querem, mas não da maneira que és. Não como pessoa normal, não com crises, não com pobres, não com défice, não com algo que não possa ser equacionado por um banco. Querem-te para combate político, para arma de arremesso, escudo perfurado para cobardia política. Mas tu perdoas, perdoas todas as atrocidades porque afinal de contas são apenas homens, jovenzinhos atirados para roda dentada da decisão sem perceberam nada de mecânica; que é como quem diz, de história. Não sabem que o teu movimento é imparável, nem Austerlitz nem  Leipzig te pararam, como vão eles conseguir? Não haverá mais touros brancos, já conheces o truque, é velho, que sigam em frente. Cada dia que passa é um passo em frente, cada tentativa de te derrubar uma lição aprendida. Todos te querem mas não da maneira que és; só que já ninguém sabe viver sem seres assim.

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Outros, Rimas

Vagabundo, és quem tu és…

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Homeless, by David Simons

Um passo em falso
Um ser descalço
Uma avenida de cartão.
Na qual dormes e és dono
De tudo aquilo o que cai no chão.
Basta um segundo,
Quem te viu e quem te vê.
Ser um vagabundo
Charme imundo
Fome outra vez.
És aquilo que dás,
És quem tu és…

Um mar que é céu
Teu e meu
Somos a mesma face da mesma mão.
Invisível
Não audível
Que aperta chave da prisão.
Basta um segundo,
Mas ninguém te vai chamar.
Ser um vagabundo
O segundo do fundo
Fome outra vez.
És aquilo que dás,
És quem tu és…

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Cozinha

Pirozhki… nada se perde, tudo se enrola…

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Sem pressa, porque a pressa nunca foi boa conselheira. Levanta-te de olhos ainda enrugados pelo sono e abre essa vontade frigorífica. É cedo mas a fome não te larga. Que marasmo de paisagem; dois ovos, uma maçã, três nozes, que bom prenúncio  para um dia que se quer lento. É a Rússia aqui tão perto. Os ovos cozem-se, a maçã vai à frigideira com as nozes e açúcar. A massa é farinha e leite e só! Neste mundo nada se perde tudo se enrola. Enrola os ovos cozidos e picados na massa, eles de certo que não se importam. A maça já bronzeou ao sol do caramelo. Enrola-a também, ela que até gosta. Serve morno, pirozhki frio fica para a noite, serve agora!

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