Outros

Solestício da demora…

É quem sabe a pior altura do ano. Pelo menos para mim é a pior altura do ano. Uma altura em que os dias, já de si comprimidos artificialmente pelo relógio do Homem, se tornam verdadeiros farrapos de luz e vida, pois não existe uma sem a outra. Farrapos de luz numa manta de negro, de estrelas quando as há e de noites às quais é permitido um passaporte para lá do admissível.

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O meu quarto nas noites que antecedem o solstício.

Até ao solstício de Inverno é assim. Os dias não param de mingar e as noites de crescer. Tudo funciona ao contrário, os pássaros não voam porque se fartaram e foram embora. Os peixes morrem porque nadam estupidamente alegres até à superfície pensando que o céu de água se trata tal é a escuridão de ambos. É como que se esta última fosse um prolongamento do primeiro ou vice versa. Alguns, indivíduos digo, são como os peixes. Nadam na água escura da manhã para o céu escuro da tarde sem darem por isso. Do trabalho para casa e da casa para o trabalho numa rotina de escuridão.

Valha-nos dia 22, o tão desejado dia de inversão. O dia em que o dia, perdão pela redundância, regressa batalhando a noite de igual para igual até ao reduto do equinócio. Irá mais além, sim, mais além mas sempre ciente da sua morte anunciada. Mas a sua luta não será em vão mas sim em “vem”, sim em “vem”. Porque com o dia vem a luz e com ela a compreensão.  Olha lá… e o frio? O frio para lá do solstício é cortante, castigador. Não te incomoda? Não… contra o frio a música, a arte e o livro que aquece. Mas contra a escuridão, contra a escuridão que armas?

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